Hebreus e a Lei

Matthew Thiessen

Pedro Silva
4 min readApr 14, 2022
Photo by Tim Wildsmith on Unsplash

Matthew Thiessen é Professor Associado do Departamento de Estudos Religiosos na McMaster University. Seu campo de pesquisa abrange o cristianismo e o judaísmo primitivo, com foco especial em questões relacionadas à etnia, construções de identidade e a representação de Jesus nos evangelhos sinóticos em relação às leis judaicas de pureza ritual. Thiessen é autor de obras recentes, tais como “Paul and the Gentile Problem” (New York: Oxford University Press 2016), “Jesus and the Forces of Death: The Gospels’ Portrayal of Ritual Impurity within First-Century Judaism” (Baker Academic 2020) e “A Jewish Paul: The Messiah’s Herald to the Gentiles” (Baker 2023).

Tradução realizada com a autorização do autor!

Este ensaio faz parte do livro “So Great a Salvation: A Dialogue on the Atonement in Hebrews”, publicado pela T&T Clark em 2019.

Introdução

Embora os intérpretes modernos não acreditem mais que Paulo tenha escrito Hebreus, ainda assim, com muita frequência, continuam a interpretar o tratamento da lei judaica em Hebreus através das lentes do que os estudiosos comumente chamam de leitura “luterana” de Paulo: Cristo aboliu a lei judaica, cuja observância era profundamente problemática porque (1) exigia perfeita obediência para merecer a salvação, (2) não podia ser mantida perfeitamente e, portanto, (3) levava ao (a) desespero ou (b) orgulho. Por exemplo, em um breve tratamento da lei e de Hebreus, Harold Attridge alinha Hebreus com Paulo, concluindo que “ambos argumentam contra a contínua validade religiosa da Torá”. Neste artigo, procuro desafiar esse entendimento de Hebreus, argumentando que, embora o autor da carta tente fornecer um relato teológico de Jesus à luz do templo de Jerusalém e do culto do tabernáculo no deserto, ele não pretende descartar a relevância deste culto. De fato, todas as referências do autor a νόμος, exceto três, pertencem claramente às leis que regulam esse sistema de culto. Além disso, o autor não conclui que a legislação do sistema cultual não é mais válida; em vez disso, ele argumenta que a morte e ressurreição de Cristo são rituais que pertencem a um sistema de culto diferente no reino celestial onde, dada a realidade marcadamente diferente dessa esfera, leis distintas se aplicam.

Acesse a tradução aqui

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Uma Leitura Pós-Supersessionista de Hebreus, Jesper Svartvik

Botner, Max. “The Essence of a Spiritual House: Misunderstanding Metaphor and the Question of Supersessionism in 1 Peter.” Journal of Biblical Literature 139, no. 2 (2020): 409–25. https://doi.org/10.15699/jbl.1392.2020.9.

Moore, Nicholas. “‘Supersessionism and the Cult Attitude of Stephen and Hebrews’, Irish Theological Quarterly (2024).” Irish Theological Quarterly 89.2 (2024): 133–50.

Moffitt, D M 2022, Exodus in Hebrews. Exodus in the New Testament . Library of New Testament studies, Bloomsbury T&T Clark, London.

Moffitt, D M 2016, Serving in the tabernacle in Heaven : sacred space, Jesus’s high-priestly sacrifice, and Hebrews’ analogical theology, Hebrews in contexts. Ancient Judaism and early Christianity, vol. 91, Brill, p. 259–279. https://doi.org/10.1163/9789004311695_015

Regev, Eyal. “What has been Changed in the Law of Hebrews?.” Biblica 98.4 (2017): 582–599.

Schmitt, Mary. “Restructuring Views on Law in Hebrews 7: 12.” Journal of Biblical Literature 128.1 (2009): 189–201.

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